Hoje eu escrevi a carta que nunca quis escrever.


O Codex

22 de Setembro 2025

A carta de anivesário mais esquisita que você vai ler hoje

Hoje eu faço APENAS 31, e como o escritor sou eu, vou fazer meu próprio texto de aniversário.

Quando eu era moleque, gostava de aniversário.

Teve festa do mês da Bíblia, teve Homem-Aranha, teve Power Rangers (ou minha memória inventou um ou outro).

Cresci, e o gosto pelo dia foi se esvaindo.

Todo ano, perto do 22 de setembro, vem uma tristeza que não cabe em justificativa. Não me sinto digno de comemorar.

Não me sinto feliz.

É um espiral que começa no dia anterior e só termina no dia seguinte.

Para ser homem, dizem, é preciso sangrar com a dor e caminar no inferno.

E eu cumpri a cartilha e carrego cicatrizes que não entram em discurso bonito.

A vida me forçou a caminhar por uma invernia, pra entender que as coisas nem sempre acontecem do jeito que deveriam.

Alguns sucumbem. Outros resistem e, sangrando, ainda lutam, mesmo com o risco de morrer.

Eu sou desses que resistem.

Aos 23 vivi o inferno, como alguns já sabem.

Naquele tempo, eu conversava com Deus como quem conversa com um juiz e também com um amigo.

Perguntava por que eu tentava mudar minha vida e tudo só piorava.

Diana, meus pais, meu irmão, meus padrinhos, todos tentando me ajudar e nada dava certo.

Eu dizia que estava bem, e a maldade na cabeça me abraçava como amante fiel, sempre presente, sempre doce, sempre me chamando de “meu bem”.

Eu acatei. Era o que eu queria, pow… mulher na cama, veneno fácil, reconhecimento de rua.

Eu me satisfazia e cada dia ficava ainda mais fácil.

Nesses dias eu me perguntava pra Deus: “Foi meu talento que me fodeu ou fui eu que fodi com ele? E se foi um presente seu, o que eu faço com ele?”

Assumi meus erros. Percebi que o problema não eram os outros, era eu.

E aceitei as consequências. Entrei no trabalho duro para consertar o que quebrei.

Ainda carrego cicatrizes; elas são meu mapa.

Hoje, aos 31, muita coisa mudou.

Responsabilidades, medos diferentes, problemas novos, e uma pergunta que surge sempre nessas datas importantes:

Meu pai, quanto tempo leva pra esquecer só um minuto? Só um minuto que te mastiga por dentro. Quanto tempo até eu conseguir sentir o gosto simples daquele dia que todo mundo celebra sem peso?

Ele não me responde, mas entendi que homens e mulheres como eu morrem cedo, e que a gente nunca cede.

Sentimos medo, saudade, ansiedade, só que não pedimos piedade.

Seguramos a bronca. Brincamos com a ferida e contamos o que aconteceu como se fosse piada. Isso não muda nada do que sentimos, mas ajuda a seguir.

Minha mente vive em confronto e eu nunca sei se estou faznedo o certo ou o errado, mas continuo fazendo todo santo dia.

Sigo firme. Não peço ajuda como se fosse obrigação alheia.

Sei que ninguém vai desempenhar meu papel por mim, nem a pessoa do lado, nem os filhos, nem a família, porque cada um tem seus próprios demônios para lidar.

Faça seu trabalho. Faça seu dever. Controle o que pode controlar e larga o resto. Deixa que Deus, à sua maneira, abra as portas.

Se ainda resta alguma lição aqui, é essa: a vida não cura por decreto, e acreditar que o tempo faz isso só por deixar passar, é utopia.

A vida exige esforço, repetição e humildade.

Não tem atalho. Não tem desculpa bonita.

A gente sangra com a dor, aprende, conserta e volta ao combate.

Hoje quero que esse texto sirva pra quem acha que o silêncio resolve tudo… não resolve.

Fale, lute, e faça acontecer do seu jeito duro. Se for pra cair, que seja com honra; se for pra levantar, que a subida seja sua e só sua.

Não sei se tudo isso é certo ou errado, só sei que continuo fazendo.

E se você está lendo isso e também carrega uma ferida que não cabe em presente, segura firme: ninguém vai te salvar, mas você pode se salvar trabalhando.

Levanta a cabeça. Continua.

Bora vender, porra! 🪓

P.S.: O que está em jogo aqui é a alma de um homem… e aí, o que está em jogo?


Eduardo Delamor - O Copywriter Indispensável
Cachoeiro de Itapemirim – ES
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